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O mundo não voltará a ser o mesmo de antes

Revista ACI - Junho 2020

Vivemos tempos difíceis, tanto para a saúde como para a economia, e existe uma ansiosa espera pela volta da "normalidade". Quando a pandemia passar, o que se afirma é que o mundo não voltará a ser o mesmo de antes. São comuns as conversas sobre o "novo normal", considerando que esta crise está mudando mentalidades e, consequentemente, atitudes das pessoas. Como as organizações são compostas por gente, elas também estão passando por transformações.

No campo das tecnologias, muito do que está sendo utilizado neste período deve permanecer. As previsões são de que será maior a utilização de ferramentas que possibilitam o trabalho remoto, tanto individual como colaborativo, bem como de sistemas de comunicação online entre profissionais, seja para realização de reuniões ou eventos. Deve-se aumentar também o uso de plataformas digitais para aquisição e aprimoramento de conhecimentos. O mundo tende a ser mais dinâmico, remoto e, ao mesmo tempo, conectado. Nas questões pessoais, espera-se que sejamos mais cuidadosos com a gente e com o próximo.

Mas como será o olhar das pessoas para as empresas? Prenunciase uma aceleração do que já vem acontecendo: uma crescente valorização dos negócios que impactam positivamente a sociedade. Tanto profissionais preferem trabalhar em empreendimentos com responsabilidade social, como clientes tendem cada vez mais a considerar este fator como critério em suas decisões de compra. Também é crescente entre investidores a exigência de propósitos além do lucro, a fim de que possam aportar seus recursos.

Na verdade, é impossível empreender sem impactar. As empresas produzem e distribuem produtos e serviços essenciais para a sobrevivência e a qualidade de vida, geram oportunidades de trabalho e renda para que esses produtos e serviços sejam adquiridos, promovem o desenvolvimento e a realização das pessoas, pagam impostos com os quais os governos devem servir à sociedade e fornecem informações para o planejamento de políticas públicas. Mas deve haver também um cuidado especial em relação a impactos negativos como degradação ambiental, acidentes e doenças ocupacionais, entre outros.

Uma avaliação importante a ser feita é se os impactos são apenas consequências normais das operações ou propósitos explícitos do empreendimento. Uma liderança empresarial cidadã não se ocupa apenas em ações visando o lucro de seus negócios, mas também em relação ao legado que estão deixando. Esta visão ampliada pode ser o diferencial que promove a perenidade de uma empresa.

Vários empreendimentos estão dando relevantes contribuições para vencermos os desafios impostos pela atual crise de COVID-19, entretanto nem todos estão recebendo o devido reconhecimento. Por isso, uma questão também importante para se avaliar é a comunicação do bem que se faz. Além de divulgar exemplos que podem ser inspiradores para outros, fortalecer negócios socialmente responsáveis tende a aumentar os impactos positivos que eles promovem.

Em suma, além do lucro, é preciso definir propósitos, agir para alcançá- -los e fazer com que os resultados sejam conhecidos. Qual é o legado da sua marca? Se você não tem uma resposta, possivelmente o seu foco está apenas nos seus ganhos e o seu empreendimento pode estar caminhando para a extinção.

Reflexões para o sucesso no novo normal

  • Quais são os impactos gerados pelo seu negócio?
  • Eles são propositais ou apenas consequências?
  • 'Lucro + Propósito' estão claros no seu planejamento?
  • Como você comunica seus propósitos, ações e resultados?

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Publicado em: 11 de julho de 2020

Edenilson Durães


Referência Regional em Responsabilidade Social Empresarial


Presidente do ED Instituto


Diretor da Rede Voluntariado


Vice Presidente do CODEMC


1º Tesoureiro da ACI


Conselheiro Fiscal da ADENOR


Conselheiro Fiscal do MCRCV&B


Voluntário há mais de 37 anos, especialmente nas áreas da infância e adolescência, desenvolvimento humano e empreendedorismo


Bacharel em Ciências Contábeis com pós graduação em Controladoria


Foi professor, coordenador de campus e chefe de departamento de ciências contábeis da UNIMONTES


Foi palestrante, consultor e instrutor do SEBRAE nas unidades de políticas públicas e de educação, atuando nas áreas de empreendedorismo, mercado, finanças e gestão da qualidade


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