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Oportunidades na adversidade

Revista ACI - Maio 2021

Segundo a teodiceia agostiniana, o mal, diferentemente do bem, não existe em si mesmo de forma perfeita. Sendo assim, ao analisarmos situações negativas, sempre encontraremos pontos positivos. Então, mesmo reconhecendo que a maior crise de saúde pública vivida pela atual geração está deixando cicatrizes que ficarão para sempre, não estamos impedidos de buscar identificar e aproveitar as oportunidades que ela traz.

É também uma realidade que certo desenvolvimento está sendo promovido pela pandemia. No caso de muitos empreendimentos, a necessidade levou à busca de novos modelos de negócio, ao aprimoramento de produtos e serviços, bem como lançamento de outros, buscando alcançar novos mercados. O uso da tecnologia deu um salto em função da necessidade de manter as pessoas conectadas numa realidade de isolamento social. Sem a crise, certamente levaríamos anos para alcançar o mesmo patamar.

Mas quero aqui dar mais ênfase ao ser humano. A pandemia mexe com a emoção. Mais sensíveis, as pessoas estão também mais receptivas a serem conquistadas. Por isso, empresas que se envolvem em soluções para a crise estão tendo oportunidades para se destacarem, conquistando mídia espontânea e, principalmente, admiração de pessoas. Isso certamente tem poder para fidelizar atuais clientes e atrair novos, reter talentos, ampliar e fortalecer parcerias estratégicas.

Parabenizo as muitas empresas engajadas diretamente e por meio de suas instituições. Além da preservação de vidas, a dor de várias pessoas está sendo amenizada pelas ações desenvolvidas. Penso que seria melhor ainda se houvesse mais divulgação, não apenas para promoção de marcas, mas também para que sirvam de exemplo e inspiração. Quanto mais se propaga o bem e motiva pessoas a fazerem o mesmo, melhores serão as condições para construirmos uma sociedade melhor para esta geração e para as próximas.

A quem ainda não se engajou, convido para uma reflexão. É impossível empreender sem impactar pessoas, economia e meio ambiente. Por isso, apesar do conceito 'Negócio de Impacto' ser aplicável a determinados empreendimentos, defendo que, essencialmente, toda empresa é um negócio de impacto. E vejo que desenvolver a cultura organizacional com essa premissa ajuda a criar um ambiente mais favorável ao sucesso.

Todos os produtos e serviços atendem necessidades ou desejos das pessoas; o resultado econômico determina o lucro distribuído, o nível de salários e benefícios oferecidos; as operações empresariais consomem recursos e geram resíduos. Estes são exemplos de impactos típicos do negócio. Num patamar mais elevado, certas empresas promovem também impactos propositais, como engajamento em causas sociais e/ou ambientais, promoção do voluntariado, doações. Portanto, empresas orientadas para maximizar os impactos positivos e minimizar ou eliminar os negativos, tanto inerentes como propositais, certamente estão em vantagem no mercado.

Ganhar dinheiro e tornar o mundo melhor é possível e desejável. Então aproveite as oportunidades que a pandemia abre para tornar a sua empresa um verdadeiro negócio de impacto positivo.

Aproveitando oportunidades na crise

  • A pandemia trouxe males irreparáveis, porém também oportunidades
  • Muitos empreendimentos foram levados pela necessidade a se desenvolverem
  • As pessoas, mais sensibilizadas, estão mais receptivas a serem conquistadas
  • A divulgação do bem, além do fortalecimento de marcas, é fonte de exemplo e inspiração
  • Uma cultura organizacional de impacto ajuda a criar um ambiente mais favorável ao sucesso
  • Trabalhar positivamente impactos inerentes e propositais, aumentam a vantagem competitiva

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Publicado em: 27 de maio de 2021

Edenilson Durães


Empresário contábil, consultor, mentor e palestrante


Referência Regional em Responsabilidade Social Empresarial


Presidente do ED Instituto


Diretor da Rede Voluntariado


Vice Presidente do CODEMC


1º Tesoureiro da ACI


Conselheiro Fiscal da ADENOR


Conselheiro Fiscal do MCRC&VB


Voluntário há quase 40 anos, especialmente nas áreas da infância e adolescência, empreendedorismo e desenvolvimento terriorial e humano


Bacharel em Ciências Contábeis com pós graduação em Controladoria


Foi professor, coordenador de campus e chefe de departamento de ciências contábeis da UNIMONTES


Foi palestrante, consultor e instrutor do SEBRAE nas unidades de políticas públicas e de educação, atuando nas áreas de empreendedorismo, mercado, finanças e gestão da qualidade


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